segunda-feira, 20 de junho de 2011

Enfim...Entro em Cena!






Passei a semana toda pensando: no que ia fazer para que a minha cena não tivesse um texto "linear", que não ficasse rotulado e que a minha apresentação fosse única, diferente e que combinasse com o meu parceiro de cena, afinal, somos cúmplices e a nossa cena tem que ser uma só.
As cenas começaram e eu estava, alí, no meu cantinho e meu parceiro de cena nada de chegar e aquilo ia me dando uma certa aflição, que só passou depois que ele abriu a porta e entrou na sala..Agora sim, ia dá tudo certo, por que eu confiava nele, que dizer, confio. Quando, de repente, acabou-se a cena anterior, a Wlad aponta na minha direção e pede pra que eu faça a cena, junto com o Cecílio..Minha mão começou a ficar gelada e eu pensei: devo fazer tudo que ensaiei em casa e tudo que está marcado, agora é só seguir e fazer bonito.
O primeiro foi o meu amigo à ir pra cena, e eu fiquei atrás só obrservando, vendo no que eu poderia "jogar" com ele. Logo após a cena dele, eu deveria fazer a minha cena, e foi o que eu fiz: deitei na parte de trás da sala, fingindo estar dormindo e começei o meu texto, depois fingi estar tendo um sonho e acordo assustado, depois vejo meu tio chegando e fico todo feliz com a sua presença, minha mãe logo se aproxima e fico com muita raiva por que ela me briga constantemente, mas, com isso eu fico sensível e ela me pede desculpas e eu todo dengoso fico meigo, pego o meu papel e o meu lápis e começo a escrever uma cartinha pro papai do céi e por fim rezo agradecendo à tudo que ele me fez até hoje.. Ufa!! Essa foi as imagens criadas para o meu trabalho da Wlad. Uma surpresa: quando terminei a minha cena, todos ( Digo: TODOS! ) aplaudiram o meu trabalho, ou seja, naquele dia eu trouxe a Glória, quer dizer, fiquei com a felicidade contida em meu interior pelo reconhecimento do meu trabalho.
Devemos trazer as pulsações vividas no cotidiano,. precisamos organizar as emoções e senti falta no trabalho da Diana Flexa, cuidado com o choro e os movimentos aleatórios, pois houve muitos movimentos sem sentido, que dizer, tem sentido, mas fica muito monótono, sem vida. Ou seja, devemos fazer o texto em várias atmosferas, deixando de ser linear.

Descobrindo o fazedor de Poesias.

Cheguei um pouco depois de todos na sala de aula, por que tinha que ajustar algumas coisas de minha cena, pensando que a Prof. ia passar as cenas individuais, mas nem passou, por que quando fomos entrando em sala, nos deparamos com um vídeo que iria falar um pouco da vida e da obra de Manoel De Barros.
Foi bem legal ver como todos os alunos-atores estavam antenados na vida desse poeta, que é uma obra de DEUS que veio abrilhantar o nosso espaço cênico, assim como seus bloquinhos de pápeis na qual ele escrevia seus poemas, a partir das ideias inusitadas de seu amigo "Palmiro", que errava feio no Português, mas que era motivo de inspiração nos poemas de Manoel.
Manoel é bem engraçado por que procura a base de seus poemas na infância, onde tem uma certa doçura, que no mundo adulto quase inexiste e quem quiser encontrar verdade em suas poesias, encontrará muita imaginação e beleza nos traços escritos, por que a imaginação vem com a invenção de mudar o mundo, pois, pra ele, só se ver ouvindo e só se ouve vendo. Para ele, devemos transformar as palavras através do poema e é isso que ele faz..Por exemplo: no texto "Ver'', na qual eu interpreto essa sua poesia, a linguagem escrita é tão rica de significados, de dualidades que nós nos encantamos pela maneira da qual o texto é escrito, e é através de imagens do mundo real que podemos imaginar coisas, objetos, animais que possam refletir no texto.
A poesia não precisa ser entendida, por que quem entende é quem ouve e quem ouve, deve entender aquilo que a sensibilidadem permite entender, e que, no fim damos valor aos nosso sonhos mais puros e precebemos,na maioria das vezes, que o silêncio é tão alto que os passarinhos ouvem de longeeeee ( Manoel brinca com esse jogo de palavras na qual os ''passarinhos podem escutar a intensidade do silêncio" ).
Para ele, sua vida está etagnada, muito, na sua infância repleto de coisas e desejos, onde a criança pode brincar com esse lado mais puro, mais ingênuo, sem malícia .. "Tudo que não inventamé falso" ! Por isso, devemos inventar vários artifícios que tornem a vida um pouco mais original, precisamos brincar mais, aproveitar e ver com a vida é bela, através da imaginação sugerida por Manoel De Barros.




sexta-feira, 17 de junho de 2011

Um dia sem o Poeta!

Entusiasmado por que seria mais um dia disposto à correr atrás do acabamento de minha cena.. Putz, dei na cara na porta! A aula de hoje não teria.. Teria uma palestra de um Americano à respeito do corpo em si, dos movimentos e que nos seriam muito útil para o nosso desenvolvimento em cena.
Não estava empolgado nem um pouco com essa palestra, por que queria, mesmo, era estar em cena com meus amigos ensaiando e completando o noso solo...Mas, fomos para a palestra que já estava sendo iniciada pela Prof. Karine Jansen que estava falando sobre a arquitetura da época..Achei bem legal, mas confesso não entender muito esse período e fora que a palestra nem rendeu tanto, por que outras pessoas queriam debater o assunto e que acabara sendo um tanto quanto explosivo. Todos queriam opinar, mas algumas pessoas da plateia, não escutavam a opinião alheia, o que impede o debate de fluir.
Depois de alguns minutos, começou a palestra do Prof de Nova Iorque.. Gente, foi uma coisa de louco, por que eu não estava entendendo nada do que ele falava, não estava entendendo nada do que o tradutor tentava me explicar, ou seja, não entendi nada.
Conclusão: vim de fininho e me ausentei por alguns instantes até a próxima aula.

1º ATO - Colagens.

Tudo parte do princípio..Princípio este que parte de nossas vivências, o que queremos e o que não queremos expor à todos, pedaços de nossas vidas que devem ou não ser explorados. "Perceptos" e "Afectos", segundo Félix Guattari, são detalhes que nos tocam, como ator, de uma certa forma, em uma cena e são compreendidas nos atos cênicos. Acredito que partindo de nossas vivências pessoais, devemos criar ''afeto'' com as coisas, com as imagens, com o nosso público e com nós mesmos.

A aula começou com uma pequena reflexão sobre esse filósofo, que traz inspirações à nossa cena, mas logo partiu para a apresentação dos primeiros esboços de cada um..
Nesse primeiro instante, foram algumas pessoas demonstrar seus trabalhos..Cada um ia e, logo após, ia a sua dupla. Achei bem bacana o fato de alguns aluno-atores mostrarem seus trabalhos, por que fomos conhecendo o perfil de cada um, com seus traços e seus modos de fazerem teatro..
Me encantou o jeito de Luis Girard, com seu corpo, seu texto e sua alma em cena, acredito que seu trabalho é uma coisa vinda da alma, gostosa de ser vista e explorada. Umas das coisas que não saiu bem em sua cena, acho que foi o fato da cena não ser finalizade e a professora ressaltou isso.. Mas, teve algumas pessoas que não estavam muito ''contentes'' em cena, não estavam com o trabalho preparado, mas estavámos alí para crescer e aperfeiçoar o nosso trabalho.
A Wlad pediu que fizessemos duas vezes a mesma cena, e teve gente que se perdeu. Bernard foi um que se perdeu, por que suas imagens giravam em torno de um tabuleiro de botão, e não conseguiu gravar as marcações por ele proposta. Vagda, não encontrei emoção contida em sua cena, acho que foi mais o texto dito. Simei, muito me surpreendeu, apesar de ela não gostar de decorar texto e muito menos passar a cena mais de uma vez, a sua cena foi uma coisa tocante nesse dia.. Acho que transitou entre a ficção e a realidade, entre uma imagem real misturada à imagem ideal que ela sonhava em ter naquele momento. Mas, quem mais chamou a minha atenção nesse dia foi Thainá Chemelo, por que sua cena continha verdade, não que os outros não tiveram verdade em suas cenas, e sua forma de atuar muito me emocionou: a maneira que ela mudava de imagens, a maneira que essas imagens trocavam de emoções, o tempo de cada texto, o intervalo entre uma imagem e outra.. Acredito que todos nós, atores desse processo, devemos ter uma dramaturgia pessoal, que caminha junto conosco e que, a qualquer momento, podemos explorá-la, e é nesse breve intervalo que montamos nossa cena..

Momento final: trazer um figurino que seja poética, que não tenha utilidade, que sirva só para a cena final e que seja feito manualmente.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Visualização 1.

A semana foi bem corrida e com ela, a ânsia por gravar a poesia de Manoel de Barros, intitulada ''Ver''.. Quando tenho que gravar algo, ou correr atrás de algo referente aos meus personagens, fico sempre apreensivo e tento ficar calmo, mas nem consigo.
Tinha que gravar a poesia, somente; mas depois vimos que essa "moleza" não ia demorar por muito tempo, até por que essa cena seria o nosso resultado de disciplina. A Wlad pediu pra que algumas pessoas fizessem a leitura e interpretação da poesia, só que a leitura da poesia deveria ser dada na mesma intensidade da imagem formada, através das nossas vivências pessoais. A pessoa que mais me encantou nesse dia foi a Suely Brito, por que, ao fazer a interpretação, deixou a emoção fluir de uma tal forma que seu trabalho teve de ser contido com suas lágrimas, mas que não a desanimou.
Gostei dessa ideia de misturar vida pessoal com o trabalho do Poeta, por que, assim, buscamos nossa emoção interior que guardamos em nossa caixinha mágica e subjetiva.
Fiquei um pouco de lado, fazendo minhas anotações e aguardando a minha vez, mas a emoção era tanta, que outras pessoas fizeram a cena proposta e o trabalho ia fluindo cada vez mais. A próxima tarefa é gravar o texto ainda mais e unir com as imagens criadas, criando, assim, um pequeno monólogo pessoal baseado na poesia de Manoel de Barros.


"Era o menino e os bichinhos.
Era o menino e o sol.
O menino e o rio.
Era o menino e as árvores." ( Manoel de Barros )

"Descobrindo meu mundinho particular."

Nunca pensei que fosse tão difícil, e ao mesmo tempo, tão legal de falar de nossas vidas. Falar, sentir, viver, poder expressar-se através do dito, e através do não dito também, por que é bem mais complicado quando você se expõe,perante à várias pessoas na qual você não está aconstumado a conversar.
Tinha que levar, no máximo, três objetos que representassem a minha vida...Levei apenas um que representa, por completo, toda a minha vida. O meu objeto é um postal que meu Tio Euclides ganhou de um amigo que trouxe de Berlim pra ele.
Bom, a cena parecia um debate policial, por que tínhamos que ir para o centro da sala e falar sobre a nossa relação objeto x vida pessoal, para que todos conhecesse um pouco da minha pessoa.. Meio tenso, nervoso, com medo, peguei meu objeto e fui para o centro da roda. Nesse momento minhas pernas pareciam nem mexer-se de tão nervoso que eu estava, mas caminhei e sentei na cadeira exposta..
Comecei a falar da minha relação com o objeto. Meu objeto representa tudo e mais um pouco do que sou.. Moro com minha mãe, minha irmã e meu tio. Meu tio era da Marinha e toda vez que ele ia viajar, sempre me dava um aperto no coração, por que ele passava meses fora viajando e eu nem o via. Ele mandava dinheiro pra minha avó e minha mãe, depois que a vovó falaceu, ele passou a mandar dinheiro apenas pra minha mãe, que o ajudava em tudo que ele precisasse.
Meu tio foi e será sempre meu segundo pai, na verdade, acho que ele é o meu pai, por que foi através dele que eu soube as coisas certas e erradas da vida. Meu tio vai em todas as minhas apresentações que faço Belém à fora, só que uma vez senti muito a sua falta quando fui à Brasilia e ele nem pode ir comigo, mas torceu muito pelo meu sucesso lá.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Um pé no outro"

Na aula do dia 06.04.2011, houve um debate sobre o processo de criação da interpretação através da poesia de Manoel de Barros. Um jogo simples e útil pra que nós pudessemos conhecer a nossa dupla, as nossas vivências, as nossas limitações e a nossa relação com a poesia do nosso artista.
No início cada um pegava sua dupla, lia o texto dado pela Prof. Wlad e depois debatia com a turma. Minha dupla foi a pessoa com quem mais tenho afinidade e relação de companheirismo na sala, que é meu amigo Cecílio Leitão, onde pegamos o texto ''Ver'', de Manoel de Barros, que trata sobre a brincadeira entre a criança e a lesma no quintal. Texto ousado, rico em poesia, envolvente, gostoso de ouvir e surpreendente de atuar. Após o debate sobre o texto em si, foi solicitado um outro ''foco'' para o debate; o foco seria agora de como trabalhar esse texto, de que forma passaríamos a emoção e de como enriquecer ainda mais o trabalho do poeta. A missão proposta é a de que o ator faz e não somente fala, fazendo, assim, com que o corpo se expresse de uma maneira que confirme tudo o que está sendo dito, e devia-se interagir com o objeto da 2º aula que nos foi solicitado, que nesse caso foi um postal que meu tio ganhou com um pedação do muro de Berlim/Alemanha.
Bem, gosto muito da ideia de contra-cena com um objeto pessoal, no início tive receio, medo de me apegar ao objeto misturado com a cena, mas depois tentei me controlar, também gosto da ideia da poesia ser interpretada de uma outra forma, pois ganha um outro ar ao nosso trabalho: algo envolvente, mágico, rico e simplório ao mesmo tempo.